Eliezer Levin –Contista brasileiro judaico/Cuentista judío-brasileño”/Brazilian Jewish Storyteller — — “Bom Retiro, Brazil” — português — español–English/trilingual

Eliezer Levin

Eliezer Levin é autor de livros de contos, crônicas e romances. O seu primeiro romance. Bom Retiro, publicado em 1972, constituiu-se por assim dizer, em sua temática regionalista, um marco solitário no panorama de nossa um livro sobre o bairro judaico de São Paulo. Até então nenhum romance se ocupara especificamente do assunto. Conforme crítica da época, o autor estreava em plano alto, o nível de realização literária que sugeria maturidade. Dono de estilo simples, claro, fluente, havia escrito “um livro envolvente, de evocativa beleza, digno dos escritores de raça”

___________________________

Eliezer Levin es autor de libros de cuentos, crónicas y novelas. Tu primera novela. Bom Retiro, publicado en 1972, constituyó, por así decirlo, en su temática regionalista, un hito solitario en el panorama de nuestro libro sobre el barrio judío de São Paulo. Hasta entonces, ninguna novela había tratado específicamente el tema. Según la crítica de la época, el autor debutó en un nivel alto, el nivel de realización literaria que sugería madurez. Dueño de un estilo sencillo, claro y fluido, había escrito “un libro cautivador, de belleza evocadora, digno de escritores de raza”.

____________________________

Eliezer Levin is the author of books of short stories, chronicles and novels. Your first novel. Bom Retiro, published in 1972, constituted, so to speak, in its regionalist theme, a solitary landmark in the panorama of our book on the Jewish neighborhood of São Paulo. Until then, no novel had specifically dealt with the subject. According to the critics of the time, the author debuted at a high level, the level of literary achievement that suggested maturity. Owner of a simple, clear and fluid style, he had written “a captivating book, of evocative beauty, worthy of writers of his ethnicity.”

___________________________________________

_______________________________________________________

São Paulo em 1943

O retrato

O retrato ficava bern no meio da parede da nossa sala de jantar, en frente da mesa. Tratava-se de um desenho anti­ go, feito a lápis-crayon, corn urna armação de vidro e urna grande moldura dourada de estilo. Nele, o meu avo aparecia exibindo a sua longa barba preta e um par de óculos sem aro; os olhos, grandes e luminosos, dominavam o rosto. Algumas rugas na testa emprestavam-lhe um ar mais sério, em contras­ te com a expressão da boca, que continha um meio-sorriso.

Desde que me conhecia por gente, o retrato esteve sempre lá. Tão acostumados estávamos com ele, que passava des­ percebido, corno qualquer outra coisa comum da sala. Mas, no meu caso, nao era bem assim.

A grande mesa da sala era normalmente a mesa em que costumava fazer as Iições. Diariamente, punha os livros e ca­dernos sobre ela, ficando ali debruçado por várias horas, até a conclusão do trabalho. Por vezes, meio distraído, olhava para o retrato, dando, então, com seus grandes olhos, que me fita­vam seriamente atrás das lentes. Tinha a impressão de que es­ tavam interessados em tudo o que eu fizesse; nao me deixa­vam por um instante. Como eu tivesse o hábito de repetir os Ao observar os pontos andando de um lado para o outro da sala, eu conseguia até sentir como eles me seguiam; não apenas os olhos, mas o rosto inteiro. Eles se viravam em minha direção e praticamente me seguiam. Eu sentia tanto a presença do meu avô que, com o tempo, comecei a ter, por assim dizer, um diálogo silencioso com ele. Eu lhe contava minhas dúvidas, sugeria meus problemas, confiava meus planos e aventuras. Às vezes, na véspera de provas, eu ficava acordado estudando até tarde da noite. A casa ficava muito silenciosa. Todos dormiam. Sozinho com meus livros, eu tentava rever os últimos pontos. Quando, exausto e cochilando, eu parava por um breve momento, pegava aqueles grandes olhos fixos em mim, como se me olhassem com curiosidade. Acho que poucas pessoas na casa se importavam com o retrato. De minha parte, eu o conhecia tão bem que conseguia reproduzi-lo nos mínimos detalhes. Eu podia dizer de cor o número de rugas em sua testa, o corte de seu cabelo e barba, o estilo de seus óculos, a luz em seus olhos, o formato de suas orelhas e nariz. No entanto, de vez em quando eu podia jurar que ele havia passado por algumas mudanças. As rugas às vezes pareciam mais profundas, às vezes menos; o meio sorriso nos cantos de seus lábios foi substituído por uma expressão diferente, quase triste; os óculos montados em seu nariz tinham mudado ligeiramente de posição. Mas essas eram diferenças tão insignificantes que fiquei em dúvida. De uma coisa, no entanto, eu tinha certeza absoluta: sua barba. Eu sempre pensei que fosse preta; a barba preta de um profeta. Eu não tinha dúvidas sobre isso. E foi um verdadeiro choque para mim quando, uma noite, enquanto olhava para o retrato, particularmente para a barba, descobri alguns reflexos. Fui até lá e examinei seu rosto. Com certeza, havia alguns cabelos grisalhos. Eu não os tinha notado antes?

–Você não percebeu nada no retrato?

–Que retrato?

–Do vovô.

–O que eu temo retrato?

–Você não acha que a barba está um pouco diferente?

–Diferente? Como?!

Ela levantou a cabeça, olhou para mim e depois olhou para o retrato.

–O que você vê de diferente?

–Você não acha que estão aparecendo alguns cabelos grisalhos?

–Ah, isso! Esses fios sempre foram brancos.

–Mas, mãe, a barba do vovô era preta. Mamãe riu alto; Eu não insisti mais.
Outra noite, abordei meu pai. No momento em que ele largou o jornal, entrei na conversa. Inicialmente perguntei quem havia desenhado o retrato e quando o trouxeram. Quando pensei que papai estava suficientemente preparado, fui direto ao assunto:

–Você não percebe nenhuma diferença nele?

–Assim?

–A barba possui fios brancos; não existia antes.

–Você deve estar maluco, sempre haverá cabelos grisalhos.
Dizendo isso, deu uma rápida olhada no retrato e pegou novamente o jornal. Suas palavras foram incisivas, não deixando margem para dúvidas.
Mas não desisti das investigações. Eu fui em frente. Eu tinha acabado de desistir do meu pai. E então passei para outro membro da família.

É verdade que, com este, não tive nada a temer; Por outro lado, não parecia que eu iria conseguir muito. Meu irmão Srulic.

–Srulic – disse a ele, quando estávamos sozinhos -, preste atenção no que vou dizer. Dê uma boa olhada no retrato do vovô e me diga qual era a cor da barba dele.

Os olhos de Srulic brilharam, ele ficou orgulhoso por eu estar me dirigindo a ele de forma tão educada.

–A cor?!

–Sim, a cor.

–Cor?!

–Então você não sabe qual é a cor? Branco, preto, azul, vermelho, roxo. Você entende?
Imediatamente vi que não, desisti dele.

Continuei minha investigação com as outras pessoas que costumavam entrar na casa. Falei com todos, sem exceção, e todos, além de mostrarem uma expressão de surpresa, estranhando a pergunta, foram unânimes em dizer que eu estava enganado. É claro que, a essa altura, minhas convicções já davam sinais de abalar e comecei a aceitar a ideia de que estava enganado. E o pior de tudo é que o fato passou a ser de domínio público, obrigando-me a aceitar ironias de ambos os lados.

–Descobriu mais algum cabelo grisalho? – perguntou meu pai.
Decidi esquecer o assunto.


Quando passei no vestibular para o Ginásio Estadual, esse fato despertou muita alegria em casa; Naquela época não era fácil conseguir uma vaga no ensino médio. Portanto, minha conquista teve sabor de vitória e me proporcionou uma verdadeira consagração da minha família. A notícia se espalhou rapidamente.

Dai a pouco, nossa casa ficou completamente cheia. Os vizinhos estavam chegando, cumprimentando meu pai, que estava um eufórico. Mamãe preparou os copos, estendeu a toalha branca na estava na mesa e não parava de trazer cupcakes da cozinha. Bu, que era o herói, naturalmente se divertiu com tudo. Mas no local, entre o grupo que me cercava, olhei casualmente para o retrato. Os olhos me olharam felizes. Você tive e novamente aquela estranha impressão de que a barba parecia mais grisalha. Um bom número de cabelos grisalhos se somaria aos que eu já pensava conhecer. Eu cheguei mais perto.

–Parabéns – meu avô sussurrou para mim.

Alguns meses se passaram. Fizemos uma pequena reforma, trocamos alguns móveis, mamãe pintou a sala e trocou as cortinas.
Durante a pintura, o vidro do retrato quebrou. Papai teve que levá-lo ao vidraceiro; Enquanto isso, mamãe guardou no armário. Depois, passou um bom tempo sem que tivéssemos notícias dele. Só fui vê-lo novamente depois de vários meses, casualmente. Um dia (isso foi por volta dos meses finais da guerra), ao vasculhar o pequeno depósito, encontrei-o encostado num canto, um pouco empoeirado, junto com algumas bugigangas. Limpei o vidro, que ainda estava quebrado, com um pano e aproximei-o da janela para ver melhor à luz.
Lá estava meu avô: os óculos sem aro, as rugas na testa, o meio sorriso no canto dos lábios. Os olhos me olharam com curiosidade. A barba estava completamente branca.

____________________________________

El retrato

El retrato estaba ubicado en medio de la pared de nuestro comedor, frente a la mesa. Era un dibujo antiguo, hecho con crayones, con un marco de cristal y un marco dorado grande y elegante. En él aparecía mi abuelo luciendo su larga barba negra y unas gafas sin montura; los ojos, grandes y luminosos, dominaban el rostro. Algunas arrugas en su frente le daban un aspecto más serio, en contraste con la expresión de su boca, que contenía una media sonrisa.

Desde que tengo uso de razón, el retrato siempre ha estado ahí. Estábamos tan acostumbrados que pasó desapercibido, como cualquier otra cosa común en la habitación. Pero en mi caso no fue así.

La mesa grande de la sala era normalmente la mesa donde solía dar mis lecciones. Todos los días colocaba allí sus libros y cuadernos, permaneciendo allí durante varias horas, hasta completar el trabajo. A veces, un poco distraído, miraba el retrato y luego, con sus grandes ojos, me miraba seriamente detrás del objetivo. Tuve la impresión de que les interesaba todo lo que hacía; No me dejarían ni por un momento. Como tenía la costumbre de repetir los puntos al observar los puntos moviéndose de un lado a otro de la habitación, incluso podía sentir como me seguían; no sólo los ojos, sino todo el rostro. Se volvieron hacia mí y prácticamente me siguieron. Sentí tanto la presencia de mi abuelo que, con el tiempo, comencé a tener, por así decirlo, un diálogo silencioso con él. Le conté mis dudas, le sugerí mis problemas, me confié mis planes y aventuras. A veces, el día antes de los exámenes, me quedaba estudiando hasta altas horas de la noche. La casa estaba muy silenciosa. Todos durmieron. A solas con mis libros, intenté repasar los últimos puntos. Cuando, exhausto y adormecido, me detuve por un breve momento, vi esos grandes ojos mirándome fijamente, como si me miraran con curiosidad. Creo que a pocas personas en la casa les importaba el retrato. Por mi parte, lo conocía tan bien que podía reproducirlo hasta el más mínimo detalle. Podía saber de memoria el número de arrugas de su frente, el corte de su cabello y barba, el estilo de sus gafas, la luz de sus ojos, la forma de sus orejas y nariz. Sin embargo, de vez en cuando podría jurar que había pasado por algunos cambios. Las arrugas a veces parecían más profundas, a veces menos; la media sonrisa en las comisuras de sus labios fue reemplazada por una expresión diferente, casi triste; Las gafas montadas en su nariz habían cambiado ligeramente de posición. Pero eran diferencias tan insignificantes que tenía dudas. Sin embargo, de una cosa estaba absolutamente seguro: de su barba. Siempre pensé que era negro; la barba negra de un profeta. No tenía dudas sobre eso. Y fue un verdadero shock para mí cuando, una noche, mirando el retrato, especialmente la barba, descubrí algunos reflejos. Fui allí y examiné su rostro. Efectivamente, había algunas canas. ¿No los había notado antes?

–¿No notaste nada en el retrato?

–¿Qué retrato?

–Del abuelo.

–¿A qué le temo al retrato?

–¿No crees que la barba se ve un poco diferente?

–¿Diferente? ¡¿Como?!

Levantó la cabeza, me miró y luego miró el retrato.

–¿Qué ves diferente?

–¿No crees que te están saliendo algunas canas?

–¡Ah, eso! Estos cables siempre han sido blancos.

–Pero mamá, la barba del abuelo era negra. Mamá se rió a carcajadas; No insistí más.
La otra noche me acerqué a mi padre. En el momento en que dejó el periódico, me uní a la conversación. Al principio pregunté quién había dibujado el retrato y cuándo lo habían traído. Cuando pensé que papá estaba lo suficientemente preparado, fui directo al grano:

–¿No notas ninguna diferencia en él?

–¿Como esto?

–La ​​barba tiene hilos blancos; antes no existía.

–Debes estar loco, siempre habrá canas.
Dicho esto, echó un rápido vistazo al retrato y volvió a coger el periódico. Sus palabras fueron incisivas y no dejaron lugar a dudas.
Pero no abandoné las investigaciones. Seguí adelante. Acababa de renunciar a mi padre. Y luego se lo pasé a otro miembro de la familia.

Es cierto que con éste no tenía nada que temer; Por otro lado, no parecía que fuera a conseguir mucho. Mi hermano Srulic.

–Srulic – le dije, cuando estábamos solos –, presta atención a lo que voy a decir. Mira bien el retrato del abuelo y dime de qué color era su barba.

Los ojos de Srulic se iluminaron, estaba orgulloso de que me dirigiera a él con tanta educación.

–¡¿El color?!

–Sí, el color.

–¡¿Color?!

–¿Entonces no sabes de qué color es? Blanco, negro, azul, rojo, morado. ¿Lo entiendes?
Inmediatamente vi que no, lo abandoné.

Continué mi investigación con las otras personas que solían entrar a la casa. Hablé con todos, sin excepción, y todos, además de mostrar una expresión de sorpresa, encontrando extraña la pregunta, fueron unánimes en decir que me había equivocado. Por supuesto, en este punto, mis convicciones

Ya daban señales de temblar y comencé a aceptar la idea de que estaba equivocado. Y lo peor de todo es que el hecho pasó a ser de dominio público, obligándome a aceptar la ironía de ambas partes.

–¿Descubriste más canas? – preguntó mi padre.
Decidí olvidarme del asunto.
Cuando aprobé el examen de ingreso al Gimnasio del Estado, este hecho provocó mucha alegría en casa; En aquella época no era fácil conseguir una plaza en el bachillerato. Por eso, mi logro tuvo sabor a victoria y me dio una verdadera consagración de mi familia. La noticia se difundió rápidamente.

Pronto nuestra casa estuvo completamente llena. Los vecinos iban llegando, saludando a mi padre, quien estaba eufórico. Mamá preparó los vasos, extendió el mantel blanco sobre la mesa y siguió trayendo pastelitos de la cocina. A Bu, que era el héroe, naturalmente le divertía todo. Pero allí, entre el grupo que me rodeaba, miré casualmente el retrato. Los ojos me miraron felices. Una vez más tuviste esa extraña impresión de que tu barba parecía más gris. Un buen número de canas se sumarían a las que ya creía conocer. Me acerqué.

–Felicidades – me susurró mi abuelo.

Pasaron unos meses. Hicimos una pequeña renovación, cambiamos algunos muebles, mamá pintó la sala y cambió las cortinas.
Durante la pintura, el cristal del retrato se rompió. Papá tuvo que llevarlo al vidriero; Mientras tanto, mamá lo guardó en el armario. Después pasó mucho tiempo sin que supiéramos nada de él. Sólo volví a verlo después de varios meses, de manera casual. Un día (esto fue en los últimos meses de la guerra), mientras buscaba en el pequeño almacén, lo encontré recostado en un rincón, un poco polvoriento, junto con algunas chucherías. Limpié el cristal, que aún estaba roto, con un paño y lo acerqué a la ventana para ver mejor con la luz.
Allí estaba mi abuelo: las gafas sin montura, las arrugas en la frente, la media sonrisa en las comisuras de los labios. Los ojos me miraron con curiosidad. La barba estaba completamente blanca.

____________________________________

The Portrait

The portrait was located in the middle of the wall in our dining room, opposite the table. It was an old drawing, made in crayon, with a glass structure and a large, stylish gold frame. In it, my grandfather appeared sporting his long black beard and a pair of rimless glasses; The eyes, large and luminous, dominated the face. Some wrinkles on his forehead gave him a more serious appearance, in contrast to the expression on his mouth, which contained a half smile.
Ever since I met, the portrait has always been there. We were so used to it that it went unnoticed, like everything else in the room. But in my case, it wasn’t quite like that.
The large table in the room was usually the table where I did the exercises. Every day, he placed the books and notebooks in it, remaining there for several hours, until the work was completed. Sometimes, a little distracted, he would look at the portrait, then, with his big eyes, he would look at me seriously through the lens. I had the impression that they were interested in everything I did; don’t let me go for a moment. As I watched the dots walking from one side of the room to the other, I could even feel how they were following me; not only their eyes, but their entire faces. They turned in my direction and virtually followed me. I felt my grandfather’s presence so much that, over time, I began to have, so to speak, a silent dialogue with him. I would tell him my doubts, suggest my problems to him, confide in him my plans and adventures. Sometimes, on the eve of exams, I would stay up studying until late at night. The house would be very quiet. Everyone was asleep. Alone with my books, I would try to review the last points. When, exhausted and nodding off from sleep, I would pause for a brief moment, I would catch those big eyes fixed on me, as if looking at me curiously. I think that few people in the house cared about the portrait. For my part, I knew him so well that I could reproduce him in the smallest detail. I could tell by heart the number of wrinkles on his forehead, the cut of his hair and beard, the style of his glasses, the light in his eyes, the shape of his ears and nose. However, from time to time I could swear that he had undergone some changes. The wrinkles sometimes seemed deeper, sometimes less so; the half-smile at the corners of his lips was replaced by a different, almost sad expression; the spectacles mounted on his nose had changed slightly in position. But these were such insignificant differences that I was left in doubt. Of one thing, however, I felt absolutely certain: his beard. I had always thought it was black; the black beard of a prophet. I had no doubt about that. And it was a real shock for me when, one evening, as I looked at the portrait, particularly at the beard, I discovered some reflections. I went over and examined her face. Sure enough, there were some gray hairs. Hadn’t I noticed them before?

–Didn’t you notice anything in the portrait?

–What portrait?

–Grandpa’s.

–What do I fear portrait?

–Don’t you think the beard looks a little different?

–Different? As?!
She raised her head, looked at me, and then looked at the portrait.

–What do you see different?

–Don’t you think some gray hairs are appearing?

–Oh, that! These wires have always been white.

–But, mom, grandpa’s beard was black. Mom laughed loudly; I didn’t insist anymore.
The other night, I approached my father. The moment he put down the newspaper, I joined the conversation. Initially I asked who had drawn the portrait and when they brought it. When I thought Dad was sufficiently prepared, I got straight to the point:

–You don’t notice any difference in him?

–Like this?

–The beard has white strands; it didn’t exist before. You must be crazy, there will always be gray hair.
Saying this, she took a quick look at the portrait and picked up the newspaper again. Her words were incisive, leaving no room for doubt.
But I didn’t give up on the investigations. I went ahead. I had just given up on my father. And then I passed it on to another family member.

It’s true that, with this one, I had nothing to fear; On the other hand, it didn’t seem like I was going to achieve much. My brother Srulic.

It’s true that, with this one, I had nothing to fear; On the other hand, it didn’t seem like I was going to achieve much. My brother Srulic.

–Srulic – I said to him, when we were alone -, pay attention to what I’m going to say. Take a good look at Grandpa’s portrait and tell me what the color of his beard was.
Srulic’s eyes shone, he felt proud that I was addressing him so politely.

–The color?!

–Yes, the color.

–Color?!

–So, you don’t know what color is? White, black, blue, red, purple. Do you understand?

I immediately saw that no, I gave up on him.
I continued my investigation with the other people who usually entered the house. I spoke to them all, without any exception, and all of them, in addition to showing a look of surprise, finding the question strange, were unanimous in saying that I was mistaken. Of course, by this time my convictions were already showing signs of shaking and I began to come to terms with the idea that I was mistaken. And the worst of all is that the fact had become public domain, forcing me to accept irony from both sides.

–Did you discover any more gray hairs? – asked my father.
I decided to forget the matter.
When I passed the entrance exams to the State Gymnasium, that aroused great joy at home; it wasn’t easy in those times to get a place in high school. Therefore, my achievement had the flavor of a victory and gave me true consecration from my family. The news spread quickly.

Bit by bit, our house became completely full. The neighbors were arriving, greeting my father, who was euphoric. Mom prepared the glasses, laid out the white tablecloth on the table and didn’t stop bringing cupcakes from the kitchen. But, he who was the hero, naturally reveled in everything. But at the scene, among the group that surrounded me, I looked casually
at the portrait. The eyes looked at me happily. I once again had that strange impression that the beard appeared grayer. A good number of gray hairs would be added to those I already thought I knew. I got closer.

–Congratulations – my grandfather whispered to me.
A few months passed. We had a small renovation, moved some furniture, mom painted the living room and changed the curtains.

During the painting, the glass of the portrait broke. Dad had to take him to the glazier; Meanwhile, Mom put it in the closet. Afterwards, a good period of time passed without us hearing from him. I only went to see it again after several months, casually. One day (this was around the final months of the war), when rummaging through the little storage room, I found it leaning in a corner, a bit dusty, along with some trinkets. I wiped the glass, which was still broken, with a cloth and brought it closer to the window to see it better in the light.
There was my grandfather: the rimless glasses, the wrinkles on his forehead, the half-smile at the corner of his lips. The eyes looked at me curiously. The beard was completely white.

_________________________________________________________________

O Bar-Mitzva

– O nosso hornero está no ponto? – perguntou ma­ mãe a meu pai, que estava lendo o jornal.

Lá do meu canto, levantei as orelhas, porque era de mim que se falava. Faltava pouco para o dia do meu Bar-Mitzva e eu me encontrava preocupado, tanto quanto ela.

Afinal de contas, quem iría fazer no templo as brachot da Torá e o longo discurso com citações do Talmud era eu. Também me pesava a idéia de que, com treze anos, conforme me tinham dito, eu completava a maioridade, me tornava um “hornero” e assumia urna carga de responsabilidades, para o que, em sa consciencia, nao me sentia com nenhum preparo.

Dava tratos a bola: como é que um “homem” como eu po­día, por exemplo, ganhar a vida e sustentar-se, se fosse o ca­ so? Deus me livre se tivesse de ocupar a cadeira do chefe da família, tomar as rédeas da casa e de tudo o mais.

Ter de enfrentar, nesse sábado, os vizinhos, o rabino, os chachomim do Bom Retiro, que viriam em peso ao templo só para assistir ao meu Bar-Mitzva, isso me deixava bem de­sassossegado. Nao ligar para a piscada de olhos dos garotos, que tudo fariam para rir de rnim, eis outro pesadelo, nada fá­ cil de engolir.

Quanto ao meu irmão, felizmente com esse nao tive pro­blemas, pois, antes que ele começasse com as suas, eu já lhe lera a entender que queria o máximo respeito, nao deixaria passar em nuvens brancas nenhuma brincadeira de mau gos­ to. Mas, como controlar meus amigos? Como resistir aos seus olhares, cheios de ironia e de gozação?

Papai abaixou o jornal, tirou os óculos e olhou para mim.

–O nosso homem está muito bem.

Mamãe deu um suspiro e voltou para a cozinha, onde andava preparando, com a ajuda de Dona Paulina, os pratos especiais da festa, essa parte a que ela proclamava como “a minha parte”.

Ao que me pareceu, o único que nao demonstrava ne­nhuma preocupação com a tempestade que vinha aí era o meu pai. Ele andava sorridente, cantarolava a meia voz, esfregava satisfeito as mãos, e os seus ares eram de um hornero feliz que encara o amanha como urna benc,:ao dos céus e se sente bem neste mundo de Deus. la de um quarto para outro, a procura nao sei bem do que; metia-se na cozinha para dar alguns pal­ pites, o que, aliás, nao era do seu feitio. Voltava ao seu jor­nal, interrompia a leitura e gritava para a cozinha:

–Estou as ordens. Nao vo precisar de alguma coisa?

O pessoal da cozinha queria paz e sossego, nada mais do que isso, e tempo para trabalhar.–Que cada um cuide da sua parte – era o que mamãe vivia dizendo. – Eu sei qual é a minha parte, meu Deus.

Com todo esse movimento, imagina-se o meu estado de espírito. Duma hora para outra, eu virava o centro da casa, chamavam-me de “o nosso homem”, me davarn urna aten­ c,:ao que nunca tive, nem sonhei ter. Queriarn saber se eu esta­ va passando bern e corno ia a rninha voz. Mamae me trazia oe-dac;:os de pifo com gordura de galinha. Papai puxava prosa co­ migo num tom diferente, cheio de brandura, cheio de respeito.

–Ei, o senhor aí! Que tal uma “liçãozinha”? – perguntava-me, cantarolando.

E, pela milésima vez, eu repetia as brachot da Torá, usando a melodia que ele me ensinara. Depois, repetia o dis­ curso com todas aquelas citac;:oes do Talmud. Pelos seus olhos, que nao escondiam nada, eu sabia que estava indo bem.

Koi ornar Adoshem.

–Ó-ti-mo de no-vo – repetia meu pai, no mesmo diapasão, e lá ia eu, outra vez.

Na manha do sábado, a sinagoga estava cheia. O talis de seda, que papai me comprara, cobria-me os ombros e me rocava as faces afogueadas. Fizeram-me sentar ao lado dora­ bino, esse mesmo que permutava jornais idish com meu pai. Do lado do balção, as mulheres nao tiravam os olhos de mim, lá estavam como seus vestidos de Shabat, as cabeças cober­tas por xales brancos. Dava para ver mãmae e Dona Paulina rezando pelo mesmo livro.

O hazan Avrum, em frente do Aron-Acodesch, entoa­ va, com sua voz de “baixo”, as dezoito orações.

Tendo chegado a minha vez, encaminhei-me junto com meu pai em direcção da grande mesa onde estavam abertos os rolos da Torá. E, no devido tempo, em meio ao silencio que se fizera na pequena sinagoga, comecei a cantar:

Koi omar Adoshem.

Coma voz ecoando por todo o salao, ainda que meio embargada, e com o corac;:ao palpitante, eu sentia que estava encerrando nesse momento um ciclo de minha vida.

Ao me virar para o público, que esperava o tradicional discurso, olhei para o meu pai, a poucos passos de mim, e pro­ curei mã

mae, no alto do balçao. Depois, abrindo os brãços, comecei:

Meu povo…

_____________________________________

El Bar Mitzvá

–¿Está nuestro homem en punto? – preguntó mi madre a mi padre, que estaba leyendo el periódico.

Desde mi esquina levanté el oído, porque era de mí de quien se hablaba. No pasó mucho tiempo antes de que mi Bar Mitzva y yo estuviéramos preocupados, tanto como ella.

Después de todo, yo era quien iba a dar las berajot de la Torá y el largo discurso con citas del Talmud en el templo. También me pesaba la idea de que, a los trece años, como me habían dicho, alcanzaría la mayoría de edad, me convertiría en hornero y asumiría un montón de responsabilidades, para las cuales, en conciencia, me No me sentí preparado de ninguna manera.

Era un gran problema: ¿cómo podría un “hombre” como yo, por ejemplo, ganarse la vida y mantenerse, si ese fuera el caso? Dios no lo quiera si tuviera que ocupar el puesto de cabeza de familia, encargarme de la casa y de todo lo demás.

Tener que enfrentarme ese sábado a los vecinos, al rabino y a los jajomim de Bom Retiro, que vendrían en masa al templo sólo para asistir a mi Bar-Mitzvá, me inquietó mucho. No prestar atención a los ojos guiñantes de los chicos, que harían cualquier cosa por reírse de ti, es otra pesadilla, no fácil de tragar.

En cuanto a mi hermano, afortunadamente no tuve ningún problema con él, porque antes de que empezara con el suyo ya lo había leído para entender que quería el máximo respeto, no dejaría pasar ninguna broma de mal gusto en nubes blancas. ¿Pero cómo controlo a mis amigos? ¿Cómo resistirme a sus miradas, llenas de ironía y burla?

Papá dejó el periódico, se quitó las gafas y me miró.

–Nuestro hombre está muy bien.

Mamá suspiró y regresó a la cocina, donde estaba preparando, con ayuda de doña Paulina, los platos especiales para la fiesta, esa parte de la que proclamó como “mi parte”.

Me pareció que el único que no mostró ninguna preocupación por la tormenta que se avecinaba era mi padre. Caminaba sonriendo, tarareando en voz baja, frotándose las manos con satisfacción, y su aire era el de un hombre feliz que ve el mañana como una bendición del cielo y se siente a gusto en el mundo de Dios. De una habitación a otra, busco, no sé exactamente qué; Fue a la cocina para hacer algunas conjeturas, lo cual, por cierto, no era propio de él. Volvió al periódico, dejó de leer y gritó en la cocina:

–Estoy bajo órdenes. ¿No necesitas nada?

El personal de la cocina quería paz y tranquilidad, nada más que eso, y tiempo para trabajar. -Que cada uno haga su parte -eso decía mamá. – Sé cuál es mi parte, Dios mío.

Con todo este movimiento, os podéis imaginar mi estado de ánimo. De un momento a otro me convertí en el centro de la casa, me llamaban “nuestro hombre”, me brindaban una atención que nunca tuve, ni soñé tener. Quería saber si estaba bien y cómo estaba la vocecita. Mamá solía traerme oe-dac;:os hechos con grasa de pollo. Papá me habló en un tono diferente, lleno de dulzura, lleno de respeto.

–¡Oye, estás ahí! ¿Qué tal una “pequeña lección”? – me preguntó tarareando.

Y, por milésima vez, repetí las berajot de la Torá, usando la melodía que él me había enseñado. Luego repitió el discurso con todas esas citas del Talmud. Por sus ojos, que no ocultaban nada, supe que estaba bien.

–Los koi adornan a Adoshem.

–O-tú otra vez – repitió mi padre, en el mismo tono, y ahí fui, otra vez.

El sábado por la mañana la sinagoga estaba llena. Los tallis de seda que me había comprado mi padre cubrían mis hombros y tocaban mis mejillas sonrojadas. Me hicieron sentar al lado de Bino, la misma persona que intercambiaba periódicos en yiddish con mi padre. Al lado del mostrador, las mujeres no me quitaban los ojos de encima, estaban allí con sus vestidos de Shabat y sus cabezas cubiertas con chales blancos. Se podía ver a mamá y a doña Paulina orando por el mismo libro.

Hazan Avrum, delante del Aron-Acodesch, cantó, con su voz de “bajo”, las dieciocho oraciones.

Cuando llegó mi turno, caminé con mi padre hacia la gran mesa donde estaban abiertos los rollos de la Torá. Y, a su debido tiempo, en medio del silencio que reinó en la pequeña sinagoga, comencé a cantar:

–Koi omar Adoshem.

Con mi voz resonando por toda la habitación, aunque un poco entrecortada, y con el corazón latiendo con fuerza, sentí que estaba cerrando un ciclo de mi vida en ese momento.

Mientras me volvía hacia el público que esperaba el tradicional discurso, miré a mi padre, a unos pasos de mí, y busqué a mi madre.

madre, en lo alto del balcón. Entonces, abriendo los brazos, comencé:

Mi gente…

_______________________________________

El Bar Mitzvah –

–Are is our man ready? – my mother asked my father , who was reading the newspaper.

From my corner I raised my ear, because it was my place to speak. There was a lot of time before my Bar Mitzva and we were worried, just as much as she was.

After all, I was able to give the speeches of the Torah and the long speech with quotes from the Talmud in the temple. I was also weighed down by the idea that, in the last three years, as I said, I would reach the majority of the age, I would become a man and take on a lot of responsibilities, for which, in conscience, I didn’t feel prepared in any way .

It was a big problem: how could a “man” like you, for example, gain life and maintain it, if that were the case? God didn’t want to if he had to occupy the family head post, take charge of the house and everything else.

Having to face myself this Saturday at the vecinos, the rabbi and the jajomim from Bom Retiro, who came to the temple alone to attend my Bar Mitzvah, made me very worried. Don’t pay attention to the guiñante eyes of children, who will do anything to get rid of you, it’s another nightmare, not easy to swallow.

As for my brother, luckily I didn’t have any problems with him, because before I started with him I had read him to understand that he wanted maximum respect, I wouldn’t have to pass anyone a bad taste in white clouds. But how do I control my friends? How can I resist his looks, full of irony and mockery?

Dad left the newspaper, he left the glasses and looked at me.

–Our man is very good.

Mom sighed and returned to the kitchen, where she was preparing, with the help of Doña Paulina, the special dishes for the fiesta, that part of which she proclaimed as “my part”.

It seemed to me that the only one who showed no concern about the storm that arose was my father. He walked smiling, chatting in a low voice, frotting his hands with satisfaction, and his air was that of a happy man who sees the morning as a blessing of the sky and feels like it in the world of God. From one room to another, I look for exactly what; I went to the kitchen to make some conjectures, which, of course, was not appropriate for him. He turned to the newspaper, stopped reading and shouted in the kitchen: –I’m under orders. Don’t you need anything?

The kitchen staff wanted peace and tranquility, nothing more than that, and time to work.

–That each one has their own part of it -that’s what Mom says. – – I know my part, dear Lord,

With all this movement, you can imagine my state of mind. From one moment to another I became the center of the house, they called me “our man”, they gave me attention that I never had, never had. I wanted to know if he was okay and how he was with you. Mama solía traerme oe-dac;:os hechos con grasa de pollo. Daddy spoke to me in a different tone, full of sweetness, full of respect.

–¡Oye, you’re there! How about a “small lesson”? – he asked me, gossiping.

And, for the thousandth time, I repeated the words of the Torah, using the melody that was taught to me. Then he repeated the speech with all these quotes from the Talmud. By his eyes, which didn’t hide anything, she assumes he’s fine.

Koi adorn Adoshem.

–O-you again – my to my father repeated in the same tone, and then I went once more.

On Saturday morning the synagogue was full. The silk tallis that my father had bought me covered my shoulders and wore my dreamy bags. It made me sit next to the rabbi, the same person who exchanged periodicals in Yiddish with my father. From the balcony, the women didn’t leave their eyes from me, they were there with their Shabbat dresses and their heads covered with white shawls. You could see mom and doña Paulina praying for the same book.

Hazan Avrum, before Aron-Acodesch, sang, with his “low” voice, the prayers.

When I left my turn, I walked with my father to the big table where the Torah scrolls were open. And, at the right time, in the midst of the silence that reigned in the small synagogue, he began to sing: —Koi omar Adoshem.

With my voice resonating throughout the room, even a little choppy, and with my heart barking with strength, I felt like I was closing a cycle of my life at that moment.

As I turned towards the public that was waiting for the traditional speech, I went to my father, a few steps away from me, and looked for my mother on top of the balcony. Then, opening my arms, I begin:

My people…

_____________________________________________

Edith Lomovasky-Goel–Artista y poeta argentina-israelí/Argentine Israeli Artist and Poet– “Impresiones de la mujer”/”Impressions of Women”– Arte y poemas/Art and poetry

Edith Lomosky-Goel

_____________________________________________

Nací en Argentina en 1952 y emigré a Israel en 1972. Graduada en Literatura Española por la Universidad Hebrea de Jerusalén. Postgrado en Ciencias de la Información de la Universidad de Haifa. M.Ed. en Educación linguística en sociedades multiculturales, del Instituto Levinsky del Profesorado. Mi proyecto de investigacion trata sobre las relaciones entre el ejercito y la sociedad civil en Israel, desde el ciberdiscursoHe iniciado un camino espiritual a traves de una reflexion sobre el proceso creativo y recientemente he iniciado estudios formales de Budismo en el marco de un curso para formacion de maestros de Meditacion budista. Ejerzo como profesora de Lengua y Literatura Española, escritura creativa y arte.Poeta en español y hebreo y traductora. Artista plástica e ilustradora.Publicada, premiada, antologada y traducida al inglés, hebreo, francés, portugués, italiano, alemán , mixteca y sueco. Autora de catorce poemarios que publico en internet, para el acceso de todos los lectores en español: Anfibia, Cuerpo mediterráneo, Monólogo en la arena, Libro de las horas lejanas, Body Art, Revisión de los amores, El abrazo de la diosa , Rios y penumbras, Homenaje a la caligrafia efimera, Zona, Movilizacion, Secuencias, Pausa y Paradero. Asimismo soy autora de dos poemarios en hebreo, inéditos: Orillas y Antes del viaje.En mi escritura reflejo las voces de un mandala interior en busca de armonía y equilibrio como única supervivencia posible en este Medio Oriente excesivo, encandilante y luctuoso.Estudié Arte en la Academia de Bellas Artes de Florencia, Italia y en talleres de notables maestros en Israel como Iosef Hirsh, Dan Kriger y Aharon April. Ahora estoy aprendiendo caligrafia japonesa con el master zen japonés Ishii Katsuo.

_____________________________________________

I was born in Argentina in 1952 and emigrated to Israel in 1972. Graduated in Spanish Literature from the Hebrew University of Jerusalem. Postgraduate in Information Sciences from the University of Haifa. M.Ed. in Language Education in Multicultural Societies, from the Levinsky Teachers Institute. My research project is about the relations between the army and civil society in Israel, from cyberdiscourse. I have begun a spiritual path through a reflection on the creative process and I have recently begun formal studies of Buddhism within the framework of a training course. of Buddhist Meditation teachers. I work as a teacher of Spanish Language and Literature, creative writing and art. Poet in Spanish and Hebrew and translator. Visual artist and illustrator. Published, awarded, anthologized and translated into English, Hebrew, French, Portuguese, Italian, German, Mixtec and Swedish. Author of fourteen collections of poems that I publish on the internet, for access to all readers in Spanish: Anfibia, Cuerpo mediterráneo, Monólogo en la arena, Libro de las horas lejanas, Body Art, Revisión de lo amores, El abrazo de la diosa , Rios y penumbras, Homenaje a la caligrafia efimera, Zona, Movilizacion, Secuencias, Pausa y Paradero. I am also the author of two unpublished collections of poems in Hebrew: Shores and Before the Journey. In my writing I reflect the voices of an inner mandala in search of harmony and balance as the only possible survival in this excessive, dazzling and mournful Middle East. I studied Art in the Academy of Fine Arts in Florence, Italy and in workshops of notable masters in Israel such as Iosef Hirsh, Dan Kriger and Aharon April. Now I am learning Japanese calligraphy with the Japanese Zen master Ishii Katsuo.

_________________________________________________________

Auto-retrato

En un fondo de luz tropical,

mi presencia.

Se corrió un velo

o una cortina de bambú.

Ahora veo

el centro de la camarita

de mi celular

Ahora lo veo

todo

y sonrío

___________________________

Self-Portrait

Against a background of tropical light

my presence.

a veil flickered

or a bamboo curtain

Now I see

the eye of my cell phone

camera lens

Now I see

everything

and smile.

_________________________________

Ante el tintineo

Hay un vacío en mi útero

en el útero del mundo

el viento lo acaricia

suave

siempre los cuencos

añoran

siempre en los cuencos reverbera

una canción de cuna tibetana

Porque todas las tibiezas

repiten

el mismo

tic- tac

atrapado entre los senos

con la paciencia

de un mandala en las arenas.

_______________________

Before the Chiming

There is an emptiness in my womb

In the womb of the world

The wind caresses it

softly

Hollows always

crave

Hollows resonate

with a Tibetan lullaby

Because all the warmth

echoes

the same

tick tock

caught between breasts

with the patience of

a mandala in the sand

___________________________________

El título de este poemario inédito está inspirado en el título del poemario Ledger de Jane Hirschfield

Afortunadamente, danza

Es celeste y rocío celebrar

otra aurora más

Es terracota y fuego

permanecer en la tibieza de esta casa

En mi cuaderno de notas,

en mi block A5

registro

el temblor de las ventanas

Esto es mi boceto,

mi espejo.

Mi cuerpo

jamás encorsetado

danza.

________________________________

Fortunately, she dances

It is sky-blue and dew to celebrate

one more dawn

It is terracotta and fire

to linger in the warmth of this house

In my notebook

on my writing pad

I record

the trembling of windows

This is my sketch

my mirror.

My body

never constrained

dances.

____________________________

El cuerpo de la hechicera

Las maderas crujen

en la plaza central de las doncellas

Es como si todos los pliegues subcutáneos

quedaran suspendidos

al borde de una hoguera

Todo cae ardiendo

hacia la concavidad de una hornacina

Se desdibuja en los humos

la silueta de la diosa tutelar

_____________________________

The Witch’s Body

Wooden planks creak

in the central plaza of maidens

It is as if all subcutaneous folds

remained suspended

on the edge of a bonfire

Everything falls burning

toward the concavity of an alcove

the silhouette of the guardian goddess

goes up in smoke

_________________________________________

De Tener un destino, agosto expectante de 2024, Tel Aviv

En camino

Decido moverme

hacia otro vecindario

hacia la gran ciudad

con mi fábrica de palabras a cuestas.

Busco un café con buena conexión

El sol nos resquebraja

y las sirenas de más de una ambulancia

cruzan las barreras del silencio

que todos y cada uno de los transeúntes

implora.

____________________________________

En Route

I decide to move

to a different neighborhood

closer to the big city

with my word-factory on my back.

I am looking for a café with good contacts

The sun weakens us

and the sirens of more than one ambulance

cross the barriers of the silence

that all and each one of the passersby

longs for

_______________________________________

From Tener un destino, August, 2024, Tel Aviv

1 Un silencio

bordado,

más bien

hilvanado entre metales.

Carne humana

Bochorno de agosto.

Vísperas de Tisha B’Av.

_____________________________

1 A silence

embroidered,

or rather

stitched between metals.

Human flesh

Sweltering in August.

The evening of Tisha B’Av.

_____________________________________

2 En camino

Algún reguero de sangre seca

Algún reguero de hormigas

Una riña entre gatos

marcando territorios

Un hombre acuchillado a diez metros de aquí.

Muerto.

Aún no es la guerra.

Aún es el laberinto entre las casas silenciadas.

_____________________________________

2 En Route

A trail of dried blood

A trail of ants

A fight between cats

marking their territory

A man stabbed ten meters away.

Dead.

This is not yet war.

This is still a labyrinth between silenced houses

_____________________________________

3 Noticia

Mis oídos se convirtieron

en dos acuarios

de voces nebulosas.

Trato de entender qué me dicen

y también

renuncio.

Me quedo en el contorno de la ropa que me abraza.

El perfume que sucede a mi ducha

invita

a la desnudez.

Me veo

toda piel y brisa

en un Mediterráneo que no hay.

El aroma de pomelo seco incita

a una caminata

bajo la impertinencia de la luna.

Un aire

entrecortado

se rinde a la asfixia.

Todavía

no escucho.

_________________________

3 Notice

My ears became

two fishbowls

of cloudy voices.

I try to understand what they are saying to me

and then

I give up.

I fit into the contours of the clothing that embraces me.

The perfume that follows my shower

invites

my nakedness.

I see myself

all skin and breeze

in a Mediterranean that doesn’t exist.

The aroma of dry grapefruit encourages

a promenade

under the impertinence of the moon.

A stifling

air

gives way to asphyxia.

Yet

I do not hear.

____________________________________________________

Autoretrato

Con ayuda de Dios

equilibrio en el ecuador de la existencia

equilibrismo en un lugar mayor

equilibrismo en un lugar mayor

estar donde queremos

este instante, bien

este río nunca será el mismo

fauna total

the new crone

Miryam Gover de Nasatsky (1937-2025)–Escritora judío-argentina/Argentine Jewish Writer–“Amertástica: America Fantástica”/”Amertástica: Fantastical America”–una parodía política/a political parody–fragmentos/excerpts

Miryam Gover De Nasatsky se graduó como profesora enLetras en la Universidad Nacional del Litoral, Argentina. Docente e investigadora. Con una beca del Fondo Nacional de las Artes editó La Bibliografía de Alberto Gerchunoff. Conjuntamente con la Lic. Ana Weinstein dio a conocer los dos tomos del libro Escritores judeoargentinos: bibliografía 1900-1987. Además, con Ana Weinstein y Roberto Nasatsky, relevaron las distintas facetas de la actividad musical en Trayectorias musicales judeo-argentinas. Ha presentado ponencias en congresos internacionales y colabora en varias revistas literarias argentinas. Entre sus obras están dos poemarios Persistentes vibraciones (1999) y Resonancias de Auschwitz (2011); y tres novelas históricas, La pasión de un visionario—Theodor Herzl (2004) y Desde la cima: Reminiscencias de David Ben-Gurión (2008) y Hacia la libertad (2015)

______________________________________

Miryam Gover de Nasatsky graduated with a degree in education from the National University of the Littoral, Argentina. She is a teacher and researcher. With a fellowship from the National Fund for the Arts, she edited the Bibliografía de Alberto Gerchunoff. With Ana Weinstein, she published the two volumes of Escritores judeo-argentinos: bibliografía 1900-1987. Also, with Ana Weinstein and Roberto Nasatsky, she described the diversity of musical activity in Trayectorias musicales judeo-argentinas. Miryam Gover de Nasatsky has presented papers at international conferences. She is a contributor to various Argentinean literary magazines. Gover de Nasatsky is the author of two books of poems, Persistentes vibraciones (1999) and Resonancias de Auschwitz (2011); and two historical novels, La pasión de un visionario—Theodor Herzl (2004) and Desde la cima: Reminiscencias de David Ben-Gurión (2008) and Hacia la libertad (2015.)

___________________________________________

_______________________________________

DENSA PENUMBRA

En Amertástica cambiaban rápidamente no sólo las costum­res y su sistema político sino también las ciudades y la vegetación. Miles de hectáreas boscosas devastadas por el fuego estaban­ arrasando los árboles y arbustos autóctonos – leí en un día­ de ese tiempo. No podían combatir el incendio que había estado fuera de control cuando aparentaba estar sofocado. La  guardia de cenizas recorría constantemente el lugar con el fin de apagar nuevos focos.

Todo parecía conjurarse contra esta región situada en el he­misferio sur, a pesar de sus habitantes tan alegres, trabajadores y clientes. La sequía que afecta el territorio y el viento proveniente de la cordillera de los Andes influyeron para que el fuego se hicieran inmanejable- era la explicación dada por los técnicos.

Un periódico local describía la lucha contra las llamas des­de el aire, por medio de un helicóptero el cual arrojaba baldes de agua que se evaporaba antes de llegar al suelo y, desde la tierra, porun viejo camión. Éste sólo tenía tracción trasera y resbalaba en el mismo lugar sobre la arenosa estepa patagónica.

Huían distintas especies de animales y bandadas de pájaros. Faltaba personal especializado, recursos y agua. El humo pro­ducido se sumó a la neblina existente, aunque provenía de una zona lejana y casi olvidada. Por suerte, los circuitos turísticos de la región no se vieron afectados y todos continuaron disfrutan­ do de ellos.

Un empresario japonés, cuyo nombre no pude descifrar, ya estaba interesado en dichas tierras libres de árboles que tanto lugar ocupan. Las consideraba propicias para un nuevo empren­dimiento industrial. Por Lo visto, no todo está perdido -decían los pobladores -quizás allí consigamos trabajo. Sería un nuevo diseño para el país. La evolución era permanente pero no lograban recobrar la claridad, había que adaptarse a la densa penumbra. Este fenó­meno evitaba percibir el estado en que se encontraban las ciu­dades cubiertas de suciedad, excremento canino y basura. Por supuesto, había camiones recolectores pero nunca terminaban de limpiar porque, a medida que levantaban los desperdicios, otros aparecían de inmediato. La palabra contaminación no asustaba a nadie aunque podía verse afectada el agua del río y la fauna ictícola.

Se iba gestando una peligrosa concentración de productos quí­micos perjudiciales para La salud humana como el fósforo– según opinaban los entendidos. Sólo era cuestión de hacer cumplir las ordenanzas que prevén tal estado de cosas.

Una solución fue no bañarse en el río; otra, no abastecer de agua a algunos barrios que la estaban solicitando desde hacía años. De todas maneras, se incrementaba la expectativa de vida a pesar de que tal situación amenazaba con producir consecuen­cias nocivas para la salud.

Los macro-negocios no suelen tener en cuenta el impacto am­biental– aseguraba una sicóloga social anee el proyecto de cons­truir quinientos complejos urbanísticos privados, en una isla del Delta. Los riesgos quedan relativizados ante la perspectiva de contar con un gran parque de diversiones al estilo Disney. Es una buena táctica para revalorizar zonas y llamar la atención sobre ellas a hombres de negocios.

A medida que me compenetraba acerca de la vida de este territorio tan particular, con sus proyectos, dificultades y solu­ciones, más me intrigaba la espesa capa que lo envolvía. Tenía sus ventajas porque atenuaba los efectos del agujero de ozono pero siempre es preferible la transparencia y, sobre todo, poder distinguir los objetos. Faltaba la lucidez que iluminara el camino y que permitiera orientarse en la ventolera electoral con compañas proselitistas a las que se dedicaban los supuestos futuros próceres. Visibilidad escasa– advertía todos los días el pronóstico. Por eso trataban de resaltar los méritos de quienes integraban las listas.

No quise guiarme por las noticias engañosas y entrevisté a sobrevivientes de la época quienes estaban confiados en que pronto se develaría el misterio de la comarca. Creían en predi­cadores que habían augurado un futuro mejor donde las leyes no se modificaran según la conveniencia de cada uno. Los más ancianos conservaban vestigios de un pasado feliz en el que no se escuchaban cantos truenos y los gobernantes eran inocentes. Toda época pasada fue mejor -reperían con sabiduría- la memo­ria conserva los recuerdos gratificantes. Por supuesto, no mencio­ naron la pastosa niebla en aumento la cual producía la sensación de que el tiempo no transcurría.

Siempre se habían superado las crisis y ésta, seguramente, era una más en la larga litca desde la época de la colonia. La historia fue repitiendo un juego de alternancia entre políticas esratizantes y privatizantes según los intereses de turno. Por suerte, Amertástica contaba con excelentes recursos naturales. El problema consistía en las fallas de la administración y en esa amenaza latente que producía hechos inexplicables. Empezaba a entender lo que sostenía un economista: -La crisis es un estado coyuntural de escasa importancia.

Hacía falta una cuota de entusiasmo aunque después viniera el desconcierto que, poco a poco, invadió rodas las activida­ des. Se insinuaba una tormenta. Los pobladores no la percibían ya que estaban muy entretenidos llenando planillas urgentes y adquiriendo objetos importados de codos los colores. Sí, un fe­nómeno curioso era la presencia de miles de contenedores; por suerte, de dimensiones considerables que podían detectarse a pesar del aire enrarecido. Un gran logro de la moderna globalización. Tal distracción permitía dejar de lado las hipótesis pesimista que generaba la paralización parlamentaria.

Proyectos empantanados –leí en uno de los principales matutinos debido a que no lograban una estrategia conjunta los distintos bloques que formaban la cámara. No se ponían de acuerdo: unos querían derogar leyes recientemente aprobadas o aprovechar la ausencia de colegas para estblecer nuevas condiciones. De esta forma, no podían sesionar.

Se trabaron varias propuestas consideradas fundamentales por el Ejecutivo —aclaraba el mismo periódico. Era necesario superar las diferencias para no perder el espíritu democrático. Había reuniones muy difíciles ya que la oposición pedía demasiadas explicaciones y los otros no tenían respuestas precisas ==Solamente sabemos lo que informan los medios– se excusaban. Por ejemplo, era difícil desenmascarar a los culpables de tantos atentados. Siempre tenían a mano los identikits, por las dudas, pero se confundían porque había muchos parecidos. No era fácil: a veces, terminaban desconfiado de las víctimas.

–Los jueces no son detectives–aclaraba con un aire didáctico un famoso legislador.

La fundamental era no violar el secreto de sumario- recordaba los políticos comrpehensivos.

Incertidumbre e niebla, dos constates, se apoderaron de los habitantes quienes realizaban sus tareas como autómatas. Así se les fueron atrofiando los sentidos y la capacidad de pensar. Pero no precisaban ejercitar esa última facultad, todo estaba bastante resuelto. Los problemas que surgían eran normales; no nos olvidamos que el ser humano es limitado.

Amertástica no podía ser eterna. Después de revisar los archivos queda en mi imaginación la sensación de lo que pudo ser y el recuerdo de los pobladores con sus esperanzas y proyectos. Quizá algún día se realice su segunda fundación.

_______________________________

________________________________

DENSE PENUMBRA

In Amertástica, not only the customs and political system but also the cities and vegetation changed rapidly. Thousands of forested hectares devastated by fire were destroying native trees and shrubs – I read on one day at that time. They could not fight the fire that had been out of control when it appeared to be out. The ash guard constantly toured the place in order to extinguish new outbreaks.

Everything seemed to conspire against this region located in the southern hemisphere, despite its cheerful, hard-working and customer-oriented inhabitants. The drought that affects the territory and the wind coming from the Andes mountain range influenced the fire to become unmanageable – was the explanation given by the technicians.

A local newspaper described the fight against the flames from the air, by means of a helicopter which dropped buckets of water that evaporated before reaching the ground, and, from the ground, by an old truck. This one only had rear-wheel drive and was slipping in the same place on the sandy Patagonian steppe.

Different species of animals and flocks of birds were fleeing. There was a lack of specialized personnel, resources and water. The smoke produced added to the existing fog, although it came from a distant and almost forgotten area. Luckily, the region’s tourist circuits were not affected and everyone continued to enjoy them.

A Japanese businessman, whose name I could not decipher, was already interested in these tree-free lands that occupy so much space. He considered them conducive to a new industrial venture. Apparently, not everything is lost – the residents said – maybe we will find work there. It would be a new design for the country. The evolution was permanent but they could not regain clarity, they had to adapt to the dense darkness. This phenomenon prevented us from perceiving the state of the cities covered in dirt, dog excrement and garbage. Of course, there were collection trucks but they never finished cleaning because, as they picked up the waste, others immediately appeared. The word pollution did not scare anyone, although the river water and the fish fauna could be affected.

One solution was not to bathe in the river; another, not supplying water to some neighborhoods that had been requesting it for years. In any case, life expectancy increased despite the fact that such a situation threatened to produce harmful consequences for health.

“Macro-businesses do not usually take into account the environmental impact,” said a social psychologist behind the project to build five hundred private urban complexes on an island in the Delta. The risks are relativized by the prospect of having a large Disney-style amusement park. It is a good tactic to revalue areas and draw attention to them to businessmen.

“Macro-businesses do not usually take into account the environmental impact,” said a social psychologist behind the project to build five hundred private urban complexes on an island in the Delta. The risks are relativized by the prospect of having a large Disney-style amusement park. It is a good tactic to revalue areas and draw attention to them to businessmen.

The more I learned about the life of this very particular territory, with its projects, difficulties and solutions, the more intrigued I was by the thick layer that enveloped it. It had its advantages because it attenuated the effects of the ozone hole, but transparency and, above all, being able to distinguish objects is always preferable. There was a lack of lucidity that would illuminate the path and allow one to orient oneself in the electoral turmoil with proselytizing campaigns to which the supposed future heroes were dedicated. Poor visibility– the forecast warned every day. That is why they tried to highlight the merits of those who made up the lists.

I did not want to be guided by misleading news and I interviewed survivors of the time who were confident that the mystery of the region would soon be revealed. They believed in preachers who had predicted a better future where laws would not be modified according to each person’s convenience. The oldest preserved vestiges of a happy past in which thunderous songs were not heard and the rulers were innocent. Every past era was better – they repeated with wisdom – memory preserves gratifying memories. Of course, they did not mention the thick, rising fog which made it feel like time was not passing.

Crises had always been overcome and this, surely, was one more in the long litca since colonial times. History was repeating a game of alternating between eratizing and privatizing policies according to the current interests. Luckily, Amertástica had excellent natural resources. The problem consisted of the administration’s failures and that latent threat that produced inexplicable events. I was beginning to understand what an economist was saying: -The crisis is a conjunctural state of little importance.

A certain amount of enthusiasm was needed, although later came the confusion that, little by little, invaded all the activities. A storm was brewing. The residents did not notice it since they were very busy filling out urgent forms and acquiring imported objects of all colors. Yes, a curious phenomenon was the presence of thousands of containers; luckily, of considerable dimensions that could be detected despite the thin air. A great achievement of modern globalization. Such distraction allowed us to put aside the pessimistic hypotheses generated by the parliamentary paralysis.

Projects bogged down – I read in one of the main morning newspapers because the different blocks that made up the chamber could not achieve a joint strategy. They could not agree: some wanted to repeal recently approved laws or take advantage of the absence of colleagues to establish new conditions. In this way, they could not meet.

Several proposals considered fundamental by the Executive were blocked, the same newspaper clarified. It was necessary to overcome differences so as not to lose the democratic spirit. There were very difficult meetings since the opposition asked for too many explanations and the others did not have precise answers –We only know what the media reports– they made excuses. For example, it was difficult to unmask those responsible for so many attacks. They always had the identikits on hand, just in case, but they got confused because there were so many similarities. It wasn’t easy: sometimes, they ended up distrustful of the victims.

“Judges are not detectives,” a famous legislator clarified with a didactic air.

“The fundamental thing was not to violate the secrecy of the summary,” the sympathetic politicians recalled.

Uncertainty and fog, two constants, took over the inhabitants who carried out their tasks like automatons. Thus their senses and ability to think began to atrophy. But they did not need to exercise that last faculty, everything was quite resolved. The problems that arose were normal; We do not forget that the human being is limited.

Amertastica could not be eternal. After reviewing the archives, the feeling of what could have been and the memory of the residents with their hopes and projects remains in my imagination. Perhaps one day its second founding will take place.

____________________________________________

PÁNICO BURSÁTIL

Las medidas extremas tomadas por las autoridades de Amertástica para evitar una corrida bancaria produjo el efecto contrario. La causa más evidente fue que los inversores sospe­ chaban que lo peor aún permanecía encubierto y que la salud patrimonial del mercado estaba muy debilitada.

-Atravesamos una circunstancia adversa- explicó el Primer Magistrado.

-Evitaremos la bancarrota de las instituciones y controlaremos la situación del sector financiero- aseguró un tecnócrata de re­ nombre.

Así, dieron a conocer drásticas decisiones que incluían crédi­tos de emergencia, rescate de empresas en quiebra e incentivos para productores medianos.

La velocidad y la virulencia con que se sucedían los hechos era impresionante. Con el fin de evitar el fuerte impacto, los establecimientos comerciales se interconectaron para ayudarse entre sí, pero la posibilidad de un estallido parecía inminente.

Los integrantes del gobierno no se ponían de acuerdo y se peleaban por imponer una línea de acción que salvara el propio beneficio. Aunque lo disimulaban muy bien, sólo favorecían a determinadas empresas que les concernían en particular.

Seamos pragmáticos- era la consigna de los economistas más especializados en transacciones de riesgo.

Los ciudadanos estaban atónitos. Habían pasado privaciones hasta conseguir algún crédito que les permitiera subsistir. Sin embargo, sentían que todo tambaleaba porque ya no podríanpagar ni los altos impuestos ni los intereses que habían subido drásticamente en contra de las cláusulas establecidas.

-En un período tan difícil como el actual, lo importante es no perder la confianza en las autoridades- alentaba un financista ilusionado en obtener alguna ganancia. Y agregó:

-Tengan paciencia. Estamos implementando una batería de re cursos que nos salvará de la hecatombe.

Pero el deterioro de las condiciones socio-económicas fue en aumento al mismo tiempo que la incertidumbre. Pocos hecho habían logrado trastornar tanto a los sufridos habitantes. Todo esperaban algún milagro o una simple señal que los orientara frente a la desolación que invadía sus corazones. Les parecía que un ser extraño los había mutilado. Ya no eran personas, no podían pensar.

Después de varios meses de desesperanza e impotencia, poco a poco, como autómatas, abandonaron sus viviendas y, en una larga caravana, en coche o a pie, se trasladaron a un país vecino donde era posible vivir sin sobresaltos.

_________________________________________

STOCK MARKET PANIC

The extreme measures taken by the Amertástica authorities to avoid a bank run produced the opposite effect. The most obvious cause was that investors suspected that the worst was still under wraps and that the financial health of the market was very weak.

-We are going through an adverse circumstance- explained the First Magistrate.

“We will avoid the bankruptcy of institutions and control the situation in the financial sector,” said a renowned technocrat.

Thus, they announced drastic decisions that included emergency loans, rescue of bankrupt companies and incentives for medium-sized producers.

The speed and virulence with which the events occurred was impressive. In order to avoid the strong impact, commercial establishments interconnected to help each other, but the possibility of an explosion seemed imminentThe members of the government could not agree and fought to impose a line of action that would save their own benefit. Although they hid it very well, they only favored certain companies that concerned them in particular.

Let’s be pragmatic – was the slogan of the economists most specialized in risky transactions.

The citizens were stunned. They had gone through hardships until they obtained some credit that would allow them to survive. However, they felt that everything was faltering because they could no longer pay the high taxes or the interests that had risen drastically against the established clauses.

“In a period as difficult as the current one, the important thing is not to lose trust in the authorities,” encouraged a financier excited to make some profit. And he added:

-Be patient. We are implementing a battery of resources that will save us from the catastrophe.

But the deterioration of socio-economic conditions increased at the same time as uncertainty. Few events had managed to upset the suffering inhabitants so much. Everyone was waiting for some miracle or a simple sign that would guide them in the face of the desolation that invaded their hearts. It seemed to them that a strange being had mutilated them. They were no longer people, they could not think.

After several months of hopelessness and helplessness, little by little, like automatons, they abandoned their homes and, in a long caravan, by car or on foot, they moved to a neighboring country where it was possible to live without problems.

___________________________________________________

Libros de Miryam Gover de Nasatsky/Books by Miryam Gover de Nasatsky

_________________________________

Aída Socolovsky — Maestra Artista plástica judío-uruguaya/Master Uruguayan Jewish Artist–El arte “Al sur del sur”/Art “To the South of the South”

Aída Socolovsky

_________________________________________

Aída Socolovsky nació en Montevideo. Estudió en la Escuela de Bellas Artes y le Taller Torres García. Se perfeccionó con Guillermo Fernández y Nelson Ramos. Realizó más de un centenar de exposiciones individuales y colectivas en su país y EE.UU. Obtuvo innumerables premios. Poseen su obra colecciones de los EE.UU., El Salvador y Río de Janeiro. Su obra integra los libros Al sur del sur de Susana Negri y 12 pintores uruguayos de Ernesto Heine.

_______________________________________________

Aída Socolovsky was born in Montevideo. She studied in the School of Fine Arts and the Torres García Studio. She completed her studies with Guillermo Fernández and Nelson Ramos. She has had more than a hundred individual and group exhibitions in Uruguay and the United States. She won innumerable prizes. Collections in the United States, El Salvador and Rio de Janeiro own her works. She is Included in the books Al sur del sur [To the South of the South] by Susana Negri and 12 pintores uruguayos [12 Uruguayan Painters] by Ernesto Heine.

________________________________________________

______________________________________________________________________________